Sendo muito mais transparente que queria ser, de repente preciso confessar que a embalagem não está mais vazia. Mas de repente também aquilo continua perdido.
Não sei se é remédio, nem sei se precisa remédio. E lembro que tudo pode ser veneno.
Essa lama me intoxica com seu cheiro. Ainda tão longe, posso ver bem de perto. Os circuitos vão se fechando e parece que aquele buraco no meu estômago foi tampado. Acontece que engoli um bloco de cimento e meu problema é que ainda não sei se vou digerir ou regurgitar.
De tudo no mundo, nada dói mais que a dúvida. "será?"
"mas e se...?"
"como é que...?"
E a resposta vem furiosa: EU NÃO SEI!
E descubro, então, que sou de vidro. Uma pequena lasca no meio de uma poça imunda. Aconteça o que acontecer, ainda sou fina, frágil e transparente.
Queria ser um plástico preto às vezes.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
título
Um envólucro, é tudo que tenho.
Uma embalagem vazia.
Cadê o comprimido?
Será que é o remédio?
De que vale ter uma coisa, se não sei o que fazer com ela?
O produto está me consumindo.
Uma embalagem vazia.
Cadê o comprimido?
Será que é o remédio?
De que vale ter uma coisa, se não sei o que fazer com ela?
O produto está me consumindo.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Me engano-te
Uso de toda a incerteza
Dando voltas sem fim
Num ritual de pura beleza
Que sei só ser bom pra mim
Escondo minha ansiedade
E falo muito sem dizer nada
Com muita propriedade
Do concreto faço almofada
Só para dar na sua cara
E depois te acarinhar de novo
Numa demonstração bem clara
De tudo que quebro e absorvo
Finjo não haver mágoa
Uso de todos os meus artifícios
Dou nó em pingo d’água
Me engano em meu benefício
Às vezes até imagino
Como pode soar risível
Aos ouvidos de um menino
Que é assim tão sensível
Mas saiba que se engano
Não é por outro motivo
Que não o medo mais humano
E talvez o mais nocivo
Não quero seu mal
Nem mesmo seu dó
Mas se torna fatal
Não querer ficar só
Dando voltas sem fim
Num ritual de pura beleza
Que sei só ser bom pra mim
Escondo minha ansiedade
E falo muito sem dizer nada
Com muita propriedade
Do concreto faço almofada
Só para dar na sua cara
E depois te acarinhar de novo
Numa demonstração bem clara
De tudo que quebro e absorvo
Finjo não haver mágoa
Uso de todos os meus artifícios
Dou nó em pingo d’água
Me engano em meu benefício
Às vezes até imagino
Como pode soar risível
Aos ouvidos de um menino
Que é assim tão sensível
Mas saiba que se engano
Não é por outro motivo
Que não o medo mais humano
E talvez o mais nocivo
Não quero seu mal
Nem mesmo seu dó
Mas se torna fatal
Não querer ficar só
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
De volta
De volta à casa, de volta à vista da mesma janela, de volta à minha língua. Por dias me perdendo e tentando jeitos de me virar, dias imensos na língua enrolada e suada dos outros, noites adentro trocando de língua a cada oportunidade. Hallo! Wie geht's? Tenés cambio? Troco, você tem? Change, porra, do you have any?
Sambando na terra dos outros pra conseguir fazer um pouco de muito. E dando um jeito para o dinheiro render. Difícil, mas deu.
Viagenzinha pequena essa, mas muito importante. Acho que é esse sentimento, tão diferente, de andar com as próprias pernas. Sair do colo e se jogar no mundo. aiai.. tá virando auto ajuda. uaahuhauhua
Bem, o importante é que, humana que sou, mal aprendi a engatinhar e já estou fazendo planos pra voar. Se pudesse saltava hoje mesmo.
Mentira, saltava amanhã. Hoje quero ficar só olhando a vista da janela mais alta do prédio mais alto e ver o mundo um pouco menor correndo lá fora.
Sambando na terra dos outros pra conseguir fazer um pouco de muito. E dando um jeito para o dinheiro render. Difícil, mas deu.
Viagenzinha pequena essa, mas muito importante. Acho que é esse sentimento, tão diferente, de andar com as próprias pernas. Sair do colo e se jogar no mundo. aiai.. tá virando auto ajuda. uaahuhauhua
Bem, o importante é que, humana que sou, mal aprendi a engatinhar e já estou fazendo planos pra voar. Se pudesse saltava hoje mesmo.
Mentira, saltava amanhã. Hoje quero ficar só olhando a vista da janela mais alta do prédio mais alto e ver o mundo um pouco menor correndo lá fora.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Ogûapyk
Sugiro que, quando puderem, visitem uma aldeia. Muito se pode falar sobre elas já não serem como antes, tendo se submetido à nossa cultura, mas acho que isso diz mais respeito ao olhar inicial e enviesado nosso, que à realidade em que eles vivem.
Eles têm que aprender nossa língua, certamente. Alguns possuem televisão, é fato. E pode-se até mesmo ouvir calipso rolando no meio da mata, pasme. Mas os traços mais fortes da cultura, a organização familiar e os valores primordiais, a noção da comunidade.. estão todos ali.
Talvez seja a língua materna, que ainda é outra. Talvez seja a teimosia em não se curvar de todo àquilo que impusemos, não sei. Mas é só estar ali para saber que você é outro. Que a diferença grita a cada palavra trocada.
"Ogûapyk"
"É, senta aê"
Eles têm que aprender nossa língua, certamente. Alguns possuem televisão, é fato. E pode-se até mesmo ouvir calipso rolando no meio da mata, pasme. Mas os traços mais fortes da cultura, a organização familiar e os valores primordiais, a noção da comunidade.. estão todos ali.
Talvez seja a língua materna, que ainda é outra. Talvez seja a teimosia em não se curvar de todo àquilo que impusemos, não sei. Mas é só estar ali para saber que você é outro. Que a diferença grita a cada palavra trocada.
"Ogûapyk"
"É, senta aê"
sábado, 11 de dezembro de 2010
caminho
Viu a casinha, ali no meio do caminho.
Percebeu que ela também o vira.
Simples, bela, quase bucólica.
Estava lá, parada, naquilo que parecia ser um quadro.
O menino ficou encantado.
Era tudo tão familiar, tão claro.
Pensou em ir até lá e, meio que sem nem ver, foi.
E no caminho percebeu que havia algo maior.
Lá na frente havia um morro.
Era tão belo, tão exótico, tão diferente.
Encantou-o, como encanta quase todos os viajantes.
E o menino já não piscava muito.
Ficou pensando se era de verdade,
ficou admirando aquela grandeza toda.
Se sentiu tão pequeno, inebriado.
Tão tentado a se apropriar daquela beleza.
O céu tão azul contrastando, as cores tão vivas,
magnitude tal que ficava difícil ver tudo ao mesmo tempo!
E foi andando para lá.
E andava e andava, olhando sempre aquele horizonte belo,
imaginando como seria quando lá chegasse.
Crendo que aquele era o paraíso,
e sabendo que era o que ele queria.
Mas o caminho era longo.
O menino persistia, mas o cansaço vencia a cada passo.
Até que uma hora não pôde mais,
e se abrigou numa sombra, ainda entretido com a visão.
Começou a olhar ao redor,
percebeu de repente que conhecia aquele lugar.
Aquele mato, aquelas flores...
Sim! De tanto andar, chegou naquele teto,
Esquecera, como pôde?
Da casinha tão batida,
Daquele colo tão terno.
Percebeu que ela também o vira.
Simples, bela, quase bucólica.
Estava lá, parada, naquilo que parecia ser um quadro.
O menino ficou encantado.
Era tudo tão familiar, tão claro.
Pensou em ir até lá e, meio que sem nem ver, foi.
E no caminho percebeu que havia algo maior.
Lá na frente havia um morro.
Era tão belo, tão exótico, tão diferente.
Encantou-o, como encanta quase todos os viajantes.
E o menino já não piscava muito.
Ficou pensando se era de verdade,
ficou admirando aquela grandeza toda.
Se sentiu tão pequeno, inebriado.
Tão tentado a se apropriar daquela beleza.
O céu tão azul contrastando, as cores tão vivas,
magnitude tal que ficava difícil ver tudo ao mesmo tempo!
E foi andando para lá.
E andava e andava, olhando sempre aquele horizonte belo,
imaginando como seria quando lá chegasse.
Crendo que aquele era o paraíso,
e sabendo que era o que ele queria.
Mas o caminho era longo.
O menino persistia, mas o cansaço vencia a cada passo.
Até que uma hora não pôde mais,
e se abrigou numa sombra, ainda entretido com a visão.
Começou a olhar ao redor,
percebeu de repente que conhecia aquele lugar.
Aquele mato, aquelas flores...
Sim! De tanto andar, chegou naquele teto,
Esquecera, como pôde?
Da casinha tão batida,
Daquele colo tão terno.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Undestructable
Porque a música (pra ser sincera o CD inteiro, vai) não sai da minha cabeça, mesmo que não consiga cantar metade dela.
http://youtu.be/eZFHEc_tzog
http://youtu.be/eZFHEc_tzog
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