sábado, 11 de dezembro de 2010

caminho

Viu a casinha, ali no meio do caminho.
Percebeu que ela também o vira.
Simples, bela, quase bucólica.
Estava lá, parada, naquilo que parecia ser um quadro.

O menino ficou encantado.
Era tudo tão familiar, tão claro.
Pensou em ir até lá e, meio que sem nem ver, foi.
E no caminho percebeu que havia algo maior.

Lá na frente havia um morro.
Era tão belo, tão exótico, tão diferente.
Encantou-o, como encanta quase todos os viajantes.
E o menino já não piscava muito.

Ficou pensando se era de verdade,
ficou admirando aquela grandeza toda.
Se sentiu tão pequeno, inebriado.
Tão tentado a se apropriar daquela beleza.

O céu tão azul contrastando, as cores tão vivas,
magnitude tal que ficava difícil ver tudo ao mesmo tempo!
E foi andando para lá.

E andava e andava, olhando sempre aquele horizonte belo,
imaginando como seria quando lá chegasse.
Crendo que aquele era o paraíso,
e sabendo que era o que ele queria.

Mas o caminho era longo.
O menino persistia, mas o cansaço vencia a cada passo.
Até que uma hora não pôde mais,
e se abrigou numa sombra, ainda entretido com a visão.

Começou a olhar ao redor,
percebeu de repente que conhecia aquele lugar.
Aquele mato, aquelas flores...

Sim! De tanto andar, chegou naquele teto,
Esquecera, como pôde?
Da casinha tão batida,
Daquele colo tão terno.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Undestructable

Porque a música (pra ser sincera o CD inteiro, vai) não sai da minha cabeça, mesmo que não consiga cantar metade dela.



http://youtu.be/eZFHEc_tzog

terça-feira, 30 de novembro de 2010

cru

Milhares de coisas pululam no chão.
Um buraco bem fundo se abre bem lá no meio.
Parece uma cascata de areia...
E tudo se desfaz.

O alimento já não lhe cai bem,
A vontade não é daquilo que lhe obrigam.
Pra que perder tempo nas páginas rabiscadas,
Quando as pernas mal conseguem se controlar?

Correr, correr e gritar!
A balada rolando na sala é tão...
Desencontrada!
Aqui dentro querendo berrar, e lá fora sustentando o romance.

Mas infelizmente o intervalo é curto.
A voz tem que calar.
As mãos tentam conter o chão.
Guardar os peões.

Mais duas semanas pra se conter, e depois que se foda.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A fuga

Um dia, conversando com um amigo, surgiu uma dúvida. Um pouco estranha e incomum de se pensar, mas vale o exercício de imaginar.

Pense assim: cada pessoa tem, durante sua vida, suas mil e uma facetas, todas as personalidades e oportunidades que foi, que pensou ser ou que sequer admite imaginar (mas que estiveram lá!). Muitas construções no caminho que são abandonadas pouco a pouco na estrada, deixadas de lado conforme o caminho segue e as condições mudam.
Os interesses mudam.

Pois então, todo mundo já foi mãe, nem que tivesse sido só naquela hora em que viu a foto do bebê mais lindo do mundo (ou que deu uma dura no irmão porque ele não comeu as cenouras, também vale). Todo mundo já foi um craque no futebol, nem que fosse naquele único gol que você marcou na vida, quando a bola bateu no seu traseiro e o goleiro não viu (lembra? Foi um golaço! O primário todo vibrou!). Uns já foram o gordinho suado, outros a modelo internacional. Existe quem já tenha sido ambos.

Entre tomada de posições, mudanças de atitudes e devaneios momentâneos, não importa o sexo, a (des)orientação sexual, nem a idade. Não importa sua imagem para o mundo. Você já foi de tudo, nem que por meio segundo cada coisa.


Com isso em mente, me responda o seguinte:
Se por acaso cada uma dessas vozes pudesse momentaneamente se livrar de você e ser ouvida, qual delas jamais quereria voltar? Qual delas te abandonaria pra sempre e sem medo de ser feliz?

Pensei em algumas coisas, por exemplo o garotinho do primário cheio de expectativas com o futuro. Ele aparece vez por outra, quando você se encanta novamente com uma idéia. Pensei que talvez ele jamais quisesse voltar pra você, afinal, convenhamos, você vive tirando os sonhos do pobre. Faz questão de mostrar pro garoto que ele é infantil de mais e inocente de mais.

Pensei também que poderia ser a modelo gostosa. Bem, se ela pudesse sair do seu corpitcho por um momento, se pá ela correria o mais rápido possível (e sem olhar pra trás!) para as portas das emissoras de TV, ou para o colo de um cara rico. (Quanto preconceito! tsc, tsc)

Não, não.. acho que não, quem sabe o viajante? Aquele cara de dreads no cabelo, mochila nas costas e espírito de aventureiro pulsando no coração. Pô, esse aí ia ficar muito agradecido de sair da sua vida medíocre, vai?
Poderia viajar, ver o mundo, conhecer novas pessoas e culturas... tudo o que você sempre prometeu pra ele e nunca cumpriu.
Mas não sei, o cara é bonzinho. Ele acaba se adaptando, né?... É.. não sei.


Pensei, pensei. Mas não cheguei à uma conclusão.
Quem fugiria de você? Quem iria preferir ficar sozinho a seguir trocando de lugar com todas aquelas outras máscaras?


Se tivesse que escolher só uma... Quem?


[Quero deixar claro que, embora eu tenha escrito tudo, a idéia principal não é minha, é do meu amigo]

sábado, 16 de outubro de 2010

Mão

Escreve, escreve, escreve.
apaga.

escreve, escreve, escr...
para.
apaga.

amassa a folha, mas não tem coragem de jogar fora.
vai que um dia ela sirva.

Nem que seja pra lembrar.

mas tudo bem.
dessa vez a mão tá preparada.

tem bastante papel no bloco.
tem bastante saco pra guardar o lixo.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

impressionante...

... como pouco tempo leva a poucas palavras.