Afastei-me deste espaço sem sobre isso refletir. Não foi por falta de conteúdos a explorar. Não, não. Apenas ocorreu que, por vezes, assuntos fortes de mais remexeram tão fundo, que simplesmente sobrava aquela sensação conhecida de ser vidro.
Para além de minha própria fraqueza, coisa curiosa ocorre ainda agora:
Uma vez longe de tudo, as palavras correm e me envolvem, de forma que mal posso conter toda a enxurrada que me arrasa.
Aqui, porém, o mundo se transforma em nada e o branco da tela é que insiste em me enrolar.
Creio que porque abandonei há muito as artes, hoje elas brincam comigo. Sopram aos meus ouvidos e quase sinto o cheiro doce e triste de seu hálito. No entanto o fazem apenas quando não posso tocá-las. Se, por qualquer motivo, o vento sopra a meu favor e chego perto de agarrá-las, elas evaporam, deixando apenas uma leve e rápida fumaça no ar.
Soltar a fala nunca foi um problema. Veja bem, o problema é quando não se sabe ao certo qual é a palavra que melhor cabe no aperto do peito. Todavia confesso que ainda não desisti de pegar essas fadinhas pelo ar, e é por isso que sempre volto.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
terça-feira, 26 de abril de 2011
difusão
se anotar as palavras todas que saltam na minha mente, teria o seguinte:
é impressionante, de repente, a poesia da vida. ficar contemplando a mudança do ser, do estar. de onde veio esse ser? fiz a coisa certa anos atrás, e novamente menos anos atrás. instinto falho.
o vazio que se apodera de você também é meu.
foi meu e aperta.
filosofia ou contemplatividade?
não existe essa palavra.... contempla-atividade.. a atividade é a falta de atividade. posso contemplar a atividade, mas isso não soa bem.
papai noel, minha irmãs, todas as minhas irmãs.
quem são vocês?
Mas como não sou besta, guardo as palavras pra mim, porque só eu sei o que cada uma delas significa. O desacordo é meu e ficar tentando explicar enche o saco: sou uma péssima escritora.
é impressionante, de repente, a poesia da vida. ficar contemplando a mudança do ser, do estar. de onde veio esse ser? fiz a coisa certa anos atrás, e novamente menos anos atrás. instinto falho.
o vazio que se apodera de você também é meu.
foi meu e aperta.
filosofia ou contemplatividade?
não existe essa palavra.... contempla-atividade.. a atividade é a falta de atividade. posso contemplar a atividade, mas isso não soa bem.
papai noel, minha irmãs, todas as minhas irmãs.
quem são vocês?
Mas como não sou besta, guardo as palavras pra mim, porque só eu sei o que cada uma delas significa. O desacordo é meu e ficar tentando explicar enche o saco: sou uma péssima escritora.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Clichê 2.0
Tem gente que muda a gente.
Vem assim, como se não quisesse nada, mas lá dentro você sabe que essa gente já tem tudo planejado.
E cada olhar desavisado tem mil palavras incrustadas.
Tem gente que arrebata a gente.
Fala, corre, grita, te pisa e te desdenha.
E quando você vê já era, está lá no meio daquele turbilhão.
Tem gente que acalma a gente.
Pode ser porque desliga, ou só porque te olha.
Mas de repente um suspiro vira o abraço de uma alma.
Só sei que cansei, tem gente de mais nesse mundo.
E já nem sei se essa gente me faz bem.
Vem assim, como se não quisesse nada, mas lá dentro você sabe que essa gente já tem tudo planejado.
E cada olhar desavisado tem mil palavras incrustadas.
Tem gente que arrebata a gente.
Fala, corre, grita, te pisa e te desdenha.
E quando você vê já era, está lá no meio daquele turbilhão.
Tem gente que acalma a gente.
Pode ser porque desliga, ou só porque te olha.
Mas de repente um suspiro vira o abraço de uma alma.
Só sei que cansei, tem gente de mais nesse mundo.
E já nem sei se essa gente me faz bem.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
transparência
Sendo muito mais transparente que queria ser, de repente preciso confessar que a embalagem não está mais vazia. Mas de repente também aquilo continua perdido.
Não sei se é remédio, nem sei se precisa remédio. E lembro que tudo pode ser veneno.
Essa lama me intoxica com seu cheiro. Ainda tão longe, posso ver bem de perto. Os circuitos vão se fechando e parece que aquele buraco no meu estômago foi tampado. Acontece que engoli um bloco de cimento e meu problema é que ainda não sei se vou digerir ou regurgitar.
De tudo no mundo, nada dói mais que a dúvida. "será?"
"mas e se...?"
"como é que...?"
E a resposta vem furiosa: EU NÃO SEI!
E descubro, então, que sou de vidro. Uma pequena lasca no meio de uma poça imunda. Aconteça o que acontecer, ainda sou fina, frágil e transparente.
Queria ser um plástico preto às vezes.
Não sei se é remédio, nem sei se precisa remédio. E lembro que tudo pode ser veneno.
Essa lama me intoxica com seu cheiro. Ainda tão longe, posso ver bem de perto. Os circuitos vão se fechando e parece que aquele buraco no meu estômago foi tampado. Acontece que engoli um bloco de cimento e meu problema é que ainda não sei se vou digerir ou regurgitar.
De tudo no mundo, nada dói mais que a dúvida. "será?"
"mas e se...?"
"como é que...?"
E a resposta vem furiosa: EU NÃO SEI!
E descubro, então, que sou de vidro. Uma pequena lasca no meio de uma poça imunda. Aconteça o que acontecer, ainda sou fina, frágil e transparente.
Queria ser um plástico preto às vezes.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
título
Um envólucro, é tudo que tenho.
Uma embalagem vazia.
Cadê o comprimido?
Será que é o remédio?
De que vale ter uma coisa, se não sei o que fazer com ela?
O produto está me consumindo.
Uma embalagem vazia.
Cadê o comprimido?
Será que é o remédio?
De que vale ter uma coisa, se não sei o que fazer com ela?
O produto está me consumindo.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Me engano-te
Uso de toda a incerteza
Dando voltas sem fim
Num ritual de pura beleza
Que sei só ser bom pra mim
Escondo minha ansiedade
E falo muito sem dizer nada
Com muita propriedade
Do concreto faço almofada
Só para dar na sua cara
E depois te acarinhar de novo
Numa demonstração bem clara
De tudo que quebro e absorvo
Finjo não haver mágoa
Uso de todos os meus artifícios
Dou nó em pingo d’água
Me engano em meu benefício
Às vezes até imagino
Como pode soar risível
Aos ouvidos de um menino
Que é assim tão sensível
Mas saiba que se engano
Não é por outro motivo
Que não o medo mais humano
E talvez o mais nocivo
Não quero seu mal
Nem mesmo seu dó
Mas se torna fatal
Não querer ficar só
Dando voltas sem fim
Num ritual de pura beleza
Que sei só ser bom pra mim
Escondo minha ansiedade
E falo muito sem dizer nada
Com muita propriedade
Do concreto faço almofada
Só para dar na sua cara
E depois te acarinhar de novo
Numa demonstração bem clara
De tudo que quebro e absorvo
Finjo não haver mágoa
Uso de todos os meus artifícios
Dou nó em pingo d’água
Me engano em meu benefício
Às vezes até imagino
Como pode soar risível
Aos ouvidos de um menino
Que é assim tão sensível
Mas saiba que se engano
Não é por outro motivo
Que não o medo mais humano
E talvez o mais nocivo
Não quero seu mal
Nem mesmo seu dó
Mas se torna fatal
Não querer ficar só
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
De volta
De volta à casa, de volta à vista da mesma janela, de volta à minha língua. Por dias me perdendo e tentando jeitos de me virar, dias imensos na língua enrolada e suada dos outros, noites adentro trocando de língua a cada oportunidade. Hallo! Wie geht's? Tenés cambio? Troco, você tem? Change, porra, do you have any?
Sambando na terra dos outros pra conseguir fazer um pouco de muito. E dando um jeito para o dinheiro render. Difícil, mas deu.
Viagenzinha pequena essa, mas muito importante. Acho que é esse sentimento, tão diferente, de andar com as próprias pernas. Sair do colo e se jogar no mundo. aiai.. tá virando auto ajuda. uaahuhauhua
Bem, o importante é que, humana que sou, mal aprendi a engatinhar e já estou fazendo planos pra voar. Se pudesse saltava hoje mesmo.
Mentira, saltava amanhã. Hoje quero ficar só olhando a vista da janela mais alta do prédio mais alto e ver o mundo um pouco menor correndo lá fora.
Sambando na terra dos outros pra conseguir fazer um pouco de muito. E dando um jeito para o dinheiro render. Difícil, mas deu.
Viagenzinha pequena essa, mas muito importante. Acho que é esse sentimento, tão diferente, de andar com as próprias pernas. Sair do colo e se jogar no mundo. aiai.. tá virando auto ajuda. uaahuhauhua
Bem, o importante é que, humana que sou, mal aprendi a engatinhar e já estou fazendo planos pra voar. Se pudesse saltava hoje mesmo.
Mentira, saltava amanhã. Hoje quero ficar só olhando a vista da janela mais alta do prédio mais alto e ver o mundo um pouco menor correndo lá fora.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Ogûapyk
Sugiro que, quando puderem, visitem uma aldeia. Muito se pode falar sobre elas já não serem como antes, tendo se submetido à nossa cultura, mas acho que isso diz mais respeito ao olhar inicial e enviesado nosso, que à realidade em que eles vivem.
Eles têm que aprender nossa língua, certamente. Alguns possuem televisão, é fato. E pode-se até mesmo ouvir calipso rolando no meio da mata, pasme. Mas os traços mais fortes da cultura, a organização familiar e os valores primordiais, a noção da comunidade.. estão todos ali.
Talvez seja a língua materna, que ainda é outra. Talvez seja a teimosia em não se curvar de todo àquilo que impusemos, não sei. Mas é só estar ali para saber que você é outro. Que a diferença grita a cada palavra trocada.
"Ogûapyk"
"É, senta aê"
Eles têm que aprender nossa língua, certamente. Alguns possuem televisão, é fato. E pode-se até mesmo ouvir calipso rolando no meio da mata, pasme. Mas os traços mais fortes da cultura, a organização familiar e os valores primordiais, a noção da comunidade.. estão todos ali.
Talvez seja a língua materna, que ainda é outra. Talvez seja a teimosia em não se curvar de todo àquilo que impusemos, não sei. Mas é só estar ali para saber que você é outro. Que a diferença grita a cada palavra trocada.
"Ogûapyk"
"É, senta aê"
sábado, 11 de dezembro de 2010
caminho
Viu a casinha, ali no meio do caminho.
Percebeu que ela também o vira.
Simples, bela, quase bucólica.
Estava lá, parada, naquilo que parecia ser um quadro.
O menino ficou encantado.
Era tudo tão familiar, tão claro.
Pensou em ir até lá e, meio que sem nem ver, foi.
E no caminho percebeu que havia algo maior.
Lá na frente havia um morro.
Era tão belo, tão exótico, tão diferente.
Encantou-o, como encanta quase todos os viajantes.
E o menino já não piscava muito.
Ficou pensando se era de verdade,
ficou admirando aquela grandeza toda.
Se sentiu tão pequeno, inebriado.
Tão tentado a se apropriar daquela beleza.
O céu tão azul contrastando, as cores tão vivas,
magnitude tal que ficava difícil ver tudo ao mesmo tempo!
E foi andando para lá.
E andava e andava, olhando sempre aquele horizonte belo,
imaginando como seria quando lá chegasse.
Crendo que aquele era o paraíso,
e sabendo que era o que ele queria.
Mas o caminho era longo.
O menino persistia, mas o cansaço vencia a cada passo.
Até que uma hora não pôde mais,
e se abrigou numa sombra, ainda entretido com a visão.
Começou a olhar ao redor,
percebeu de repente que conhecia aquele lugar.
Aquele mato, aquelas flores...
Sim! De tanto andar, chegou naquele teto,
Esquecera, como pôde?
Da casinha tão batida,
Daquele colo tão terno.
Percebeu que ela também o vira.
Simples, bela, quase bucólica.
Estava lá, parada, naquilo que parecia ser um quadro.
O menino ficou encantado.
Era tudo tão familiar, tão claro.
Pensou em ir até lá e, meio que sem nem ver, foi.
E no caminho percebeu que havia algo maior.
Lá na frente havia um morro.
Era tão belo, tão exótico, tão diferente.
Encantou-o, como encanta quase todos os viajantes.
E o menino já não piscava muito.
Ficou pensando se era de verdade,
ficou admirando aquela grandeza toda.
Se sentiu tão pequeno, inebriado.
Tão tentado a se apropriar daquela beleza.
O céu tão azul contrastando, as cores tão vivas,
magnitude tal que ficava difícil ver tudo ao mesmo tempo!
E foi andando para lá.
E andava e andava, olhando sempre aquele horizonte belo,
imaginando como seria quando lá chegasse.
Crendo que aquele era o paraíso,
e sabendo que era o que ele queria.
Mas o caminho era longo.
O menino persistia, mas o cansaço vencia a cada passo.
Até que uma hora não pôde mais,
e se abrigou numa sombra, ainda entretido com a visão.
Começou a olhar ao redor,
percebeu de repente que conhecia aquele lugar.
Aquele mato, aquelas flores...
Sim! De tanto andar, chegou naquele teto,
Esquecera, como pôde?
Da casinha tão batida,
Daquele colo tão terno.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Undestructable
Porque a música (pra ser sincera o CD inteiro, vai) não sai da minha cabeça, mesmo que não consiga cantar metade dela.
http://youtu.be/eZFHEc_tzog
http://youtu.be/eZFHEc_tzog
terça-feira, 30 de novembro de 2010
cru
Milhares de coisas pululam no chão.
Um buraco bem fundo se abre bem lá no meio.
Parece uma cascata de areia...
E tudo se desfaz.
O alimento já não lhe cai bem,
A vontade não é daquilo que lhe obrigam.
Pra que perder tempo nas páginas rabiscadas,
Quando as pernas mal conseguem se controlar?
Correr, correr e gritar!
A balada rolando na sala é tão...
Desencontrada!
Aqui dentro querendo berrar, e lá fora sustentando o romance.
Mas infelizmente o intervalo é curto.
A voz tem que calar.
As mãos tentam conter o chão.
Guardar os peões.
Mais duas semanas pra se conter, e depois que se foda.
Um buraco bem fundo se abre bem lá no meio.
Parece uma cascata de areia...
E tudo se desfaz.
O alimento já não lhe cai bem,
A vontade não é daquilo que lhe obrigam.
Pra que perder tempo nas páginas rabiscadas,
Quando as pernas mal conseguem se controlar?
Correr, correr e gritar!
A balada rolando na sala é tão...
Desencontrada!
Aqui dentro querendo berrar, e lá fora sustentando o romance.
Mas infelizmente o intervalo é curto.
A voz tem que calar.
As mãos tentam conter o chão.
Guardar os peões.
Mais duas semanas pra se conter, e depois que se foda.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
A fuga
Um dia, conversando com um amigo, surgiu uma dúvida. Um pouco estranha e incomum de se pensar, mas vale o exercício de imaginar.
Pense assim: cada pessoa tem, durante sua vida, suas mil e uma facetas, todas as personalidades e oportunidades que foi, que pensou ser ou que sequer admite imaginar (mas que estiveram lá!). Muitas construções no caminho que são abandonadas pouco a pouco na estrada, deixadas de lado conforme o caminho segue e as condições mudam.
Os interesses mudam.
Pois então, todo mundo já foi mãe, nem que tivesse sido só naquela hora em que viu a foto do bebê mais lindo do mundo (ou que deu uma dura no irmão porque ele não comeu as cenouras, também vale). Todo mundo já foi um craque no futebol, nem que fosse naquele único gol que você marcou na vida, quando a bola bateu no seu traseiro e o goleiro não viu (lembra? Foi um golaço! O primário todo vibrou!). Uns já foram o gordinho suado, outros a modelo internacional. Existe quem já tenha sido ambos.
Entre tomada de posições, mudanças de atitudes e devaneios momentâneos, não importa o sexo, a (des)orientação sexual, nem a idade. Não importa sua imagem para o mundo. Você já foi de tudo, nem que por meio segundo cada coisa.
Com isso em mente, me responda o seguinte:
Se por acaso cada uma dessas vozes pudesse momentaneamente se livrar de você e ser ouvida, qual delas jamais quereria voltar? Qual delas te abandonaria pra sempre e sem medo de ser feliz?
Pensei em algumas coisas, por exemplo o garotinho do primário cheio de expectativas com o futuro. Ele aparece vez por outra, quando você se encanta novamente com uma idéia. Pensei que talvez ele jamais quisesse voltar pra você, afinal, convenhamos, você vive tirando os sonhos do pobre. Faz questão de mostrar pro garoto que ele é infantil de mais e inocente de mais.
Pensei também que poderia ser a modelo gostosa. Bem, se ela pudesse sair do seu corpitcho por um momento, se pá ela correria o mais rápido possível (e sem olhar pra trás!) para as portas das emissoras de TV, ou para o colo de um cara rico. (Quanto preconceito! tsc, tsc)
Não, não.. acho que não, quem sabe o viajante? Aquele cara de dreads no cabelo, mochila nas costas e espírito de aventureiro pulsando no coração. Pô, esse aí ia ficar muito agradecido de sair da sua vida medíocre, vai?
Poderia viajar, ver o mundo, conhecer novas pessoas e culturas... tudo o que você sempre prometeu pra ele e nunca cumpriu.
Mas não sei, o cara é bonzinho. Ele acaba se adaptando, né?... É.. não sei.
Pensei, pensei. Mas não cheguei à uma conclusão.
Quem fugiria de você? Quem iria preferir ficar sozinho a seguir trocando de lugar com todas aquelas outras máscaras?
Se tivesse que escolher só uma... Quem?
[Quero deixar claro que, embora eu tenha escrito tudo, a idéia principal não é minha, é do meu amigo]
Pense assim: cada pessoa tem, durante sua vida, suas mil e uma facetas, todas as personalidades e oportunidades que foi, que pensou ser ou que sequer admite imaginar (mas que estiveram lá!). Muitas construções no caminho que são abandonadas pouco a pouco na estrada, deixadas de lado conforme o caminho segue e as condições mudam.
Os interesses mudam.
Pois então, todo mundo já foi mãe, nem que tivesse sido só naquela hora em que viu a foto do bebê mais lindo do mundo (ou que deu uma dura no irmão porque ele não comeu as cenouras, também vale). Todo mundo já foi um craque no futebol, nem que fosse naquele único gol que você marcou na vida, quando a bola bateu no seu traseiro e o goleiro não viu (lembra? Foi um golaço! O primário todo vibrou!). Uns já foram o gordinho suado, outros a modelo internacional. Existe quem já tenha sido ambos.
Entre tomada de posições, mudanças de atitudes e devaneios momentâneos, não importa o sexo, a (des)orientação sexual, nem a idade. Não importa sua imagem para o mundo. Você já foi de tudo, nem que por meio segundo cada coisa.
Com isso em mente, me responda o seguinte:
Se por acaso cada uma dessas vozes pudesse momentaneamente se livrar de você e ser ouvida, qual delas jamais quereria voltar? Qual delas te abandonaria pra sempre e sem medo de ser feliz?
Pensei em algumas coisas, por exemplo o garotinho do primário cheio de expectativas com o futuro. Ele aparece vez por outra, quando você se encanta novamente com uma idéia. Pensei que talvez ele jamais quisesse voltar pra você, afinal, convenhamos, você vive tirando os sonhos do pobre. Faz questão de mostrar pro garoto que ele é infantil de mais e inocente de mais.
Pensei também que poderia ser a modelo gostosa. Bem, se ela pudesse sair do seu corpitcho por um momento, se pá ela correria o mais rápido possível (e sem olhar pra trás!) para as portas das emissoras de TV, ou para o colo de um cara rico. (Quanto preconceito! tsc, tsc)
Não, não.. acho que não, quem sabe o viajante? Aquele cara de dreads no cabelo, mochila nas costas e espírito de aventureiro pulsando no coração. Pô, esse aí ia ficar muito agradecido de sair da sua vida medíocre, vai?
Poderia viajar, ver o mundo, conhecer novas pessoas e culturas... tudo o que você sempre prometeu pra ele e nunca cumpriu.
Mas não sei, o cara é bonzinho. Ele acaba se adaptando, né?... É.. não sei.
Pensei, pensei. Mas não cheguei à uma conclusão.
Quem fugiria de você? Quem iria preferir ficar sozinho a seguir trocando de lugar com todas aquelas outras máscaras?
Se tivesse que escolher só uma... Quem?
[Quero deixar claro que, embora eu tenha escrito tudo, a idéia principal não é minha, é do meu amigo]
sábado, 16 de outubro de 2010
Mão
Escreve, escreve, escreve.
apaga.
escreve, escreve, escr...
para.
apaga.
amassa a folha, mas não tem coragem de jogar fora.
vai que um dia ela sirva.
Nem que seja pra lembrar.
mas tudo bem.
dessa vez a mão tá preparada.
tem bastante papel no bloco.
tem bastante saco pra guardar o lixo.
apaga.
escreve, escreve, escr...
para.
apaga.
amassa a folha, mas não tem coragem de jogar fora.
vai que um dia ela sirva.
Nem que seja pra lembrar.
mas tudo bem.
dessa vez a mão tá preparada.
tem bastante papel no bloco.
tem bastante saco pra guardar o lixo.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
dois vãos
Dois vãos se fazem na superfície há muito não vista.
Superfície plana, superfície lisa, superfície estagnada.
Com toda a calma aparente, com toda a alma do ambiente,
Dois vãos se fazem na superfície extremista.
Ebriedade contumaz que pinga incessantemente pelo vão da cá,
Frenesi delirante que escorre pelo vão de lá.
Herdado desprezo que retorce a superfície daqui,
Inexpressiva sinuosidade que transfigura qualquer coisa acolá.
Pode em vulgar engano transparecer indistinção,
Embair que se trata de mais uma chicanista.
Fazendo troça de quem para ela olhar,
Se deixando mostrar apenas aquela imagem porrista.
Mas fique certo de que turva é somente em aparência,
Falta a luz certa, o sol no alto e alguém que entenda a terra.
O nome do jogo é quietude, é atenção.
Aquele relevo não busca nada, mas ainda assim, espera.
Superfície plana, superfície lisa, superfície estagnada.
Com toda a calma aparente, com toda a alma do ambiente,
Dois vãos se fazem na superfície extremista.
Ebriedade contumaz que pinga incessantemente pelo vão da cá,
Frenesi delirante que escorre pelo vão de lá.
Herdado desprezo que retorce a superfície daqui,
Inexpressiva sinuosidade que transfigura qualquer coisa acolá.
Pode em vulgar engano transparecer indistinção,
Embair que se trata de mais uma chicanista.
Fazendo troça de quem para ela olhar,
Se deixando mostrar apenas aquela imagem porrista.
Mas fique certo de que turva é somente em aparência,
Falta a luz certa, o sol no alto e alguém que entenda a terra.
O nome do jogo é quietude, é atenção.
Aquele relevo não busca nada, mas ainda assim, espera.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Mais um do e-mail...
Esqueci a senha do meu Blog...
Vê se pode uma coisa dessas. Eu sou cada vez mais dependente do meu computador. Atenção: não estou dependente de um computador, com se fosse qualquer um, estou dependente do MEU computador. Um só e bem específico, com vida útil já pelas últimas, mas ainda com tudo que me interessa lá gravadinho. Que lástima.
Percebi isso quando de repente estou em outro lugar, outro pc e nada meu aqui. Nenhuma foto, nenhum dos meus mil arquivos, nada dos meus programas, nem filmes e seriados... Niente!
Primeiro pensamento: "Merda, esse pc não tem nada que eu quero, como vou mexer na internet se nem minha senha tá gravada aqui??"
Segundo pensamento: "Ai que absurdo. Ser completamente dependente de uma droga dessas"
Fiquei, como diria um ilustre (cada vez mais des)conhecido, contemplativa. Imaginando como seria se a tecnologia de fato fosse inutilizada por um momento. Toda ela.
Ano passado, quando quase o país inteiro apagou de repente, já deu pra ver a confusão dos infernos que foi. Quero ver quando der uma pane no sistema todo. n"O Sistema".
Vai ser um pandemônio... Caos vai ter que criar uns filhos novos, porque Gaia vai sucumbir e levar Urano junto... Talvez sobre Tártaro... talvez sobre SÓ Tártaro.
o.O
E tudo isso por conta de uma mísera senha de um blog idiota... Bem, isso, um pouco de imaginação e tempo livre.
hehehe
=p
segunda-feira, 5 de julho de 2010
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Mboi'y
Por tudo o que era para ser seu e não foi
Por todas as coisas que nunca foram suas simplesmente porque nunca poderiam ter sido de ninguém.
É o bicho, é a água, é o mar.
Aan, xé sy.
Xe pó. Ndé pó. Ore pó.
Não tem como possuir. Como ter?
‘Ybityra já não entenderia. Tampouco eu.
Todos estão no mesmo limbo, cercado do ruído vuvuzeleante de um acontecimento qualquer. Cegos o suficiente pra chamar de seu o que não se pode pertencer.
Esse é o erro do mundo, achar que se pode ser dono de tudo. Ou melhor, achar que se pode ser dono.
Mas pelo contrário, ‘Ybityra quer mais é ser. Verbo tão natural que se estranha à fala.
O que fica é a pergunta: como ser se peró só quer mesmo é saber de ter.
Nada faz sentido entre os karaíbas, e por isso abá se esconde.
Gosta de ybyra, de kapir.
Katupyry!
Por todas as coisas que nunca foram suas simplesmente porque nunca poderiam ter sido de ninguém.
É o bicho, é a água, é o mar.
Aan, xé sy.
Xe pó. Ndé pó. Ore pó.
Não tem como possuir. Como ter?
‘Ybityra já não entenderia. Tampouco eu.
Todos estão no mesmo limbo, cercado do ruído vuvuzeleante de um acontecimento qualquer. Cegos o suficiente pra chamar de seu o que não se pode pertencer.
Esse é o erro do mundo, achar que se pode ser dono de tudo. Ou melhor, achar que se pode ser dono.
Mas pelo contrário, ‘Ybityra quer mais é ser. Verbo tão natural que se estranha à fala.
O que fica é a pergunta: como ser se peró só quer mesmo é saber de ter.
Nada faz sentido entre os karaíbas, e por isso abá se esconde.
Gosta de ybyra, de kapir.
Katupyry!
quarta-feira, 30 de junho de 2010
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